Ford Puma, o passado e o futuro

Mais de 20 anos separam a primeira aparição do nome Puma, da nova versão. Terá sido um esquecimento propositado do anterior Puma ou uma evolução dele tendo em conta a exigente procura dos mercados nos dias de hoje?
As duas gerações do Ford Puma, o passado e o futuro.

Criação do verdadeiro Puma, o Coupé

Tudo começou como que um exercício, um desafio em que foi lançada a ideia aos designers de desenhar um pequeno coupé 2+2 baseado na plataforma do Fiesta e que tivesse uma imagem apelativa e desportiva.

Cientes do sucesso que o então Ford Fiesta MK4 tinha devido às suas capacidades dinâmicas, seria uma pena que esta plataforma ficasse apenas limitada a um utilitário. Porque não fazer algo mais atrevido?

Tal era a paixão dedicada ao desenhar o novo carro que em apenas poucos dias foram apresentados mais de 50 desenhos feitos à mão. Alguns foram aceites, outros nem tanto. Mas o conceito nasceu. Este modelo foi o primeiro carro a ir de simples rabiscos até à sua forma definitiva em apenas 135 dias e em computador.

Então em 1996, no Salão de Genebra foi apresentado o conceito Ford Lynx que deixava antever as linhas do que seria o Puma.

Estas linhas acabariam por ter a assinatura de Ian Callum, que aprimorou um dos designs que tinha recebido.
Munido de recortes, linhas sensuais e felinas, o Puma era um marco de design num carro de tão pequeno tamanho.

Os interiores seriam para ter um design diferente, tais como o volante e o tablier mas para reduzir custos, aproveitaram-se os moldes do design de tablier do Fiesta da altura, mas com um toque especial. Os aros do quadrante, o painel da climatização e rádio em tons de alumínio.

O elemento mais famoso do interior do carro é a sua manete de velocidades. Feita em alumínio, esta bola escalda no verão e gela no inverno. Com um propósito bastante simples. Lembrar a ligação do Homem-Maquina. Era vital que estes pequenos detalhes transmitissem ao condutor que o carro tinha uma vida e áurea própria.

Para este carro, tinha sido concebido exclusivamente um motor 1.7 VCT com as camisas dos cilindros em Nikasil.
Este motor com comando variável de abertura de válvulas, construído na Alemanha, era enviado para o Japão para receber o tratamento de Nikasil e novamente enviado para a Alemanha. A admissão foi trabalhada especialmente para entoar o cântico do motor com o intuito de despertar os instintos de prazer de condução no condutor.

Com os seus 125 CV acoplado a uma caixa de relações curtas, um gosto extremo para devorar rotação, e um chassis ágil (que teve algumas alterações como sendo 70mm mais baixo que o Fiesta e vias mais largas, não esquecendo as molas mais firmes), tornaram este carro como uma das viaturas de tracção dianteira com melhor comportamento dinâmico da altura.

Também esteve disponível em versões 1.4 16V 90cv, e no final de série (2000-2002) o 1.6 16V 103cv.

Racing Puma

Os efeitos da fera não se ficaram por aqui. Era necessário algo mais. Um carro que seria um RS sem ter a sigla.
Bastaram poucas alterações para apimentar uma receita de sucesso, com a ajuda das mãos experientes da TickFord, casa que preparava muito carro para competição.

Rodas maiores de 17 polegadas, admissão alterada “plenum chamber”, árvores de cames com perfil mais agressivo, colectores de escape trabalhados, novo mapeamento da ECU elevando o corte para as 7200rpm elevaram a cavalagem para os 155CV no bloco 1.7.

Estaria prevista a inclusão de um turbo, mas acabou por ficar um modelo atmosférico para não inflaccionar o preço final.

Esta versão, Racing Puma, limitada a 500 unidades tinha alargamentos na carroçaria, com o interior forrado em azul nas quartelas em alcantara.

O volante também tinha inserções em azul de alcantara. O condutor, esse ia bem sentado numas backets Sparco. Dinâmicamente, o que já era bom, melhor ficou.

O novo Puma

Volvidos 20 anos, eis que o aclamado nome do pequeno coupé viria de novo à ribalta. Só que… Em formato crossover. Também deriva da plataforma do Actual Fiesta MK8. Pretende ser uma espécie de SUV de cariz mais desportivo. Uma das suas maiores vantagens é a excelente capacidade de arrumação da bagageira, sendo inclusivamente um SUV bastante apto para quem tem um estilo de vida activo.

Apetrechado das mais diversas tecnologias, em ponto bastante pessoal, o quadrante totalmente digital torna-se na parte mais bonita do interior, sendo um elemento algo raro de se ver no segmento “B” em que este veículo se insere. Em relação a níveis de equipamento, segue a actual tendência da Ford, como o requintado Titanium, ou o mais arisco ST-Line, dotando este SUV de um visual mais agressivo.

Motores, tecnologia Híbrida

A tecnologia EcoBoost Hybrid reforça o motor a gasolina EcoBoost de 1,0 litros do Puma com um sistema integrado motor de arranque alternador, de 11,5 kW e comandado por correia (BISG: belt-driven integrated starter/generator). Substituindo o alternador normalmente utilizado, o BISG permite a recuperação e armazenamento da energia geralmente perdida durante a travagem e com o veículo em desaceleração.

O BISG também atua como um motor, integrado eficazmente com o motor de três cilindros, de baixo atrito, e usando a energia armazenada para assistir o binário durante a condução normal e aceleração, bem como para fazer funcionar os acessórios elétricos do veículo.

 Proposto nas variantes de 125 CV e 155 CV, o sistema mild-hybrid inteligente e auto-regulado monitoriza continuamente a forma como o veículo está a ser utilizado para determinar quando e com que intensidade deve carregar a bateria, para um benefício optimizado, e quando utilizar a carga armazenada na bateria. Esta gestão é feita com recurso a uma de duas estratégias:

Substituição do binário: acciona a funcionalidade de motor elétrico do sistema BISG para fornecer até 50 Nm de binário, reduzindo a quantidade de trabalho necessária do motor a gasolina, para melhorar a eficiência de combustível até 9 por cento, com base na norma WLTP. A substituição do binário contribui para emissões de CO2 desde 124 g/km, e um consumo de combustível desde 5,4 l/100 km para a variante de 125 CV, e emissões de CO2 desde 127 g/km e um consumo de combustível desde 5,6 l/100 km para a variante de 155 CV*.

Complemento do binário: acciona a funcionalidade de motor elétrico do sistema BISG para aumentar o binário total disponível no grupo propulsor até 20 Nm acima do nível disponível apenas no motor a gasolina, em carga máxima, e disponibilizar até 50 por cento mais binário a baixo regime, para um desempenho optimizado.

A assistência elétrica de binário contribui para um desempenho mais potente e ágil, com até 50 por cento mais binário disponível em regimes de motor mais baixos, originando uma experiência de condução mais flexível e conectada. O BISG possibilitou também aos engenheiros da Ford reduzir a taxa de compressão do motor EcoBoost de 1,0 litros e adicionar um turbocompressor maior, conseguindo mais potência e diminuindo o efeito de desfasamento do turbo (turbo-lag) graças à utilização do complemento de binário, que também confere mais rotação ao motor, o que incrementa a pressão e a resposta do turbo.

Com capacidade para recolocar o motor em funcionamento em aproximadamente 300 milissegundos – o mesmo que um piscar de olhos – o BISG permite também que a tecnologia Auto Start-Stop do Puma EcoBoost Hybrid opere num maior espectro de situações, garantindo maior poupança de combustível, mesmo em desaceleração abaixo dos 15 km/h até à total imobilização do veículo, e até com o veículo com mudança engrenada e com o pedal de embraiagem premido.

Design: Old vs New

O Puma original… Um verdadeiro felino. Ousado, marcante, sensual, personalidade forte, único, belo, intemporal. Um pequeno coupé que fazia a maioria de nós suspirar quando éramos criança, um carro diferente de tudo quando foi lançado. Ainda hoje é belo.

O Novo Puma… Bem, com tanto animal que salta, presumo que Frog seja melhor para um SUV, pois os SUV na gíria popular são chamados de “salta-pocinhas”.
Este SUV, tem algumas características interessantes, como o design do Pilar A “inacabado”. Os faróis frontais em posição bastante elevada, têm um formato que em muito me fizeram lembrar os do Fiesta MK6. O interior dos faróis deste SUV, tem as luzes diurnas em led com um design muito idêntico ao utilizado no super desportivo Ford GT.

De um lado temos um desportivo que tem apetência de clássico. Por outro lado, temos um SUV que com o passar dos anos, cairá no esquecimento (como aconteceu com o jipe Maverick, o tal baseado no Nissan Terrano II). Sim, o novo modelo é interessante. Uma boa alternativa a veículos como o Nissan Juke, melhor que o Ford EcoSport. Mas não é um carro que desperte grandes amores e paixões. É Só mais um produto na actual moda consumista dos… SUV.

Agora o verdadeiro Puma, esse já criou um legado. Por alguma coisa é chamado de sucessor espiritual do Capri. Um carro que nunca terá sucessor. A Ford foi inteligente ao utilizar este nome para o actual SUV. Foi um golpe de marketing genial, pois pôs todo o mundo a falar deste novo carro. Seja positivamente ou negativamente, agora todos o conhecem.

Entretanto, fiquem aqui com a verdadeira arte expressa num simples vídeo.