O Nuno Pinto começou a temporada muito forte. O piloto português da Team Fordzilla, a competir em GT Pro Series, o mundial de turismos da Rfactor2, lidera provisoriamente a classificação com mais três pontos do que o segundo classificado.

Nuno Pinto FordZilla Team

Mas antes de arrancar hoje, 5 de abril, às 19:00, a terceira corrida no circuito de Silverstone GP, o Nuno reconhece que este ano a competição está muito renhida. Os pilotos não puderam escolher no início da competição o carro que queriam e esta situação fez com que chegassem ao início do campeonato sem nenhuma ideia do que iriam encontrar em termos de velocidade e consistência de cada carro.

Esta alteração nas regras do jogo está a gerar incerteza de resultados e, diz-nos o Nuno, “nunca pensamos que seria um campeonato tão disputado como está a ser até agora e os pilotos que terminaram nos primeiros lugares na época anterior estão a ter muitas dificuldades porque estão em carros lentos ou têm muito peso no carro, os pilotos do meio da tabela estão a lutar por vitórias, os pilotos do fundo da tabela também estão a lutar por vitórias, então está uma luta muito grande entre todos os pilotos do campeonato”.

Deste modo, o piloto português, apesar do entusiasmo, não esquece que está tudo ainda muito no início e não se deixa deslumbrar com estes primeiros resultados, pois, conta-nos, “temos lutas do inicio ao fim da corrida, temos acidentes, toques, confusão, está a ser um drama e os pilotos que estão a manter-se fora deste drama e das confusões estão em primeiro no campeonato, que é o meu caso e caso o do meu colega de carro, não de equipa, mas que está com um carro igual ao meu; estamos a manter-nos fora dos problemas e estamos na frente. Não tanto pela performance do carro, porque não é o carro mais rápida, mas é um carro que dá para puxar sem que fique inguiável e a nossa consistência está a levar-nos ao topo do campeonato”. Para já “é este o segredo” deste sucesso inicial, refere.

Esta competição funciona da seguinte forma: cada uma das corridas é composta por três fases: uma classificação, que determina a pole position, seguida por duas mangas. A primeira, chamada “sprint”, e a segunda, mais longa, “endurance race”. Para determinar a ordem de partida desta segunda volta é usada a classificação da manga sprint, invertendo-se a classificação: por exemplo, quem chegou em primeiro, será o último a partir.

No primeiro encontro da época, disputado no circuito de Imola (Itália), o Nuno terminou a série de classificação em segundo, a corrida sprint em terceiro e a endurance race em oitavo.

No segundo grande prémio, que foi realizado recentemente no Spa-Francorchamps (Bélgica), o piloto português voltou a ficar em segundo lugar na série de classificação. Na volta sprint, terminou em sexto e a última prova foi concluída em quarto. Graças a estes resultados, o piloto da Fordzilla é provisoriamente o líder do campeonato.

“É um grande prazer inesperado que passadas apenas duas corridas, o Nuno esteja a liderar o mundial de turismos da Rfactor2”, comenta José Iglesias, capitão da Team Fordzilla. “Sabia que é um grande piloto e isto está a prová-lo”.

Por seu lado, o Nuno, ciente de que os bons resultados são fruto do treino pessoal e do trabalho em equipa, salienta: “felizmente tenho tido ajuda e isto é muito bom para mim, porque sem essas ajudas não estaria onde estou e, por isso, um agradecimento à Ford e à Fordzilla e a todas as pessoas que me têm apoiado”.

A nova contratação da Team Fordzilla

O Nuno Pinto assinou recentemente pela Team Fordzilla e foi contratado para reforçar as capacidades da equipa de simracing da Ford na plataforma rFactor2. O Nuno tem 32 anos e ficou famoso pela sua participação no programa McLaren Shadow, que selecionava os melhores simracers para os formar em pista “real”. Isto consolidou-o como um dos pilotos de e-sports mais prometedores do momento; e depois da sua passagem pela equipa Triple A – propriedade do ex-piloto de F1 Olivier Panis – Nuno Pinto deu o salto para a equipa oficial de simracing da Ford, a Team Fordzilla.

No seu horizonte vislumbra-se a vitória desta temporada de GT Pro e, se o conseguir, vai fazê-lo com as cores da Fordzilla. De qualquer modo, de momento, sem deixar de expressar confiança no seu trabalho, o piloto português mantém a prudência e fez questão de sublinhar:

“Se em duas provas, que são pistas completamente diferentes, conseguimos já estar lá na frente, quer dizer que estamos no caminho certo, mas é difícil afirmar com 100% de certeza que vamos ser competitivos até ao final do campeonato. Provavelmente sim, mas não há nenhuma garantia, até porque há o balance of performance: eles adicionam quilos aos carros ou retiram quilos aos carros durante a época toda para nivelar ainda mais o campeonato e a performance dos pilotos”.